Carta Sul Export

Carta Sul Export

Leitura por: Jesualdo Silva, presidente do Conselho do Sul Export
Curitiba, 6 de outubro de 2020

É com muita satisfação que recebemos aqui em Curitiba durante estes dias 5 e 6 de outubro, seja presencialmente ou por meio de participação online, grandes lideranças políticas, empresariais e autoridades.

Esses profissionais de alto gabarito, muitos deles amigos e parceiros de longa convivência, não se furtaram de opinar sobre os desafios que enfrentamos na operação de transportes e na ainda pouco integrada malha logística da região, situação que se repete em todo território brasileiro.

A logística, como aqui ressaltamos por diversas vezes, é estratégica para o planejamento do presente e do futuro de toda a sociedade brasileira no mundo globalizado contemporâneo.

A escolha de Curitiba como sede da primeira edição do Sul Export foi muito feliz. Contamos aqui com o prestígio do presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Luiz Fernando Garcia da Silva, em vários dos nossos paineis. Paranaguá, abriga o mais movimentado porto e também foi a primeira cidade a ser fundada na região Sul.

Contamos também com a valorosa participação do secretário Nacional de Portos, Diogo Piloni, que nos brindou com uma palestra de abertura de forma online. Foi muito sintomático que ele só não possa ter comparecido presencialmente por estar com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, inaugurando as operações do Cais de Atalaia, iniciativa que irá ampliar em 10% a capacidade do importante Porto de Vitória.

Concordamos com o secretário quando ele disse já ter passado a hora de acabar com essa história de que o Brasil só é eficiente da porteira para dentro. Os altos custos logísticos assolam a competitividade do país e, no final das contas, torna mais cara a vida de cada um dos seus habitantes.

O programa de concessões de ativos de infraestrutura do Governo Federal é, sem dúvida, um sucesso. É uma pauta, como se diz no Ministério da Infraestrutura, que está em voo de cruzeiro. Está previsto para dezembro deste ano, por exemplo, um importante leilão de arrendamento aqui na região Sul: o de terminal de veículos do Porto de Paranaguá.

O Sul Export teve a honra de contar com o brilho de outro dirigente de um porto importante da região: Fernando Estima, que à frente do porto marítimo do Rio Grande e de portos fluviais instalados em território gaúcho, destacou a necessidade de integração entre as políticas públicas do governo federal, as necessidades do setor produtivo e os planos de logística de cada estado.

Estima também fez uma brincadeira com um profundo senso de verdade. Que o Brasil Export “bagunça”, de forma positiva, a agenda das principais lideranças portuárias do País. O Conselho deste fórum permanente, do qual faço parte, se desculpa pelo transtorno, mas não vai parar de tomar iniciativas para agregar instituições e propor encaminhamento de soluções, e não somente se limitar a apresentar problemas.

Talvez o principal desses problemas para os portos da região Sul seja a questão da dragagem. Como muito bem apontou o título do painel que abordou o tema, os portos brasileiros precisam de serviços permanentes de dragagem. Que sejam contínuos, sem interrupções causadas por burocracias.

O maior desejo de nossa comunidade portuária é a dragagem permanente. É nisso que convido a todos os conselheiros a trabalhar com afinco. A implantação da dragagem contínua evitaria novos ciclos de enfrentamento jurídico e ambiental, aproveitando contratos já pacificados.

A manutenção de um calado adequado nos portos é uma questão de Custo Brasil e até de soberania nacional. O canal de acesso é o coração de um porto. É essencial manter investimentos e qualidade para evitar embaraços na movimentação das cargas.

Não menos importante é melhorar a qualidade da gestão dos portos e das vias fluviais. Vários dos portos da região Sul são bons exemplos de como gestões descentralizadas funcionam de forma mais eficiente.

Ficamos muito satisfeitos com a declaração do Coordenador-Geral de Modelagem de Concessões e Desestatizações Portuárias, Daniel Aldigueri, que garantiu respeito aos contratos vigentes de arrendamento , independente do modelo de desestatização que venha a ser adotado.

Isso nos deixa mais tranquilos. Afinal, eventuais alterações contratuais até poderão ocorrer, mas somente se for de comum acordo entre as partes envolvidas.

Discutimos também o futuro do setor produtivo, abordando a agroindustrialização e formas de como agregar valor à produção de commodities.

A região Sul tem uma indiscutível vocação industrial e agropecuária. Conta também com uma extensa rede de transportes que contribui para a ligação das várias regiões produtoras do Brasil com os principais centros consumidores e com os portos marítimos e fluviais.

O Sul Export se compromete a cobrar do Governo Federal a elaboração, o desenvolvimento e o cumprimento de políticas públicas de Estado e não de governo, no sentido de aperfeiçoar a logística com sustentabilidade.

O potencial de desenvolvimento do Brasil é estimulante para todos que trabalham com a movimentação de cargas.

Por isso, em nome do Conselho do Sul Export, agradecemos a todos que colaboraram para a realização deste evento híbrido, deixando uma mensagem de otimismo e de muito trabalho a realizar.

Meu muito obrigado a todos.

Faça já a sua inscrição para o Sul Export!