T-Grão enfrenta a crise e faz sua parte

O Terminal de Graneis do Porto de Santos desenvolveu diversas ações agrupando suas empresas e vem doando material e equipamentos para a Prefeitura e hospitais de Santos. “”Estamos focando em soluções técnicas que possam ampliar resultados positivos. Nossos colaboradores estão fazendo esses trabalhos nas horas de folga, de contribuição voluntária. Está existindo essa sinergia, uma situação como a que estamos vivendo não expõe só o trabalhador, expõe a todos” diz o presidente do T-Grão, Vinícius Pina.

O T-Grão está operando normalmente no porto e, por enquanto, não aconteceu a redução nas operações: “O agronegócio é um setor que está com movimento positivo, temos uma faixa boa para exportar e tivemos a valorização do dólar, isso viabilizou o produto e a cadeia está muito bem remunerada. Até um ano atrás praticava a tabela em dólar, mas devido ao posicionamento do mercado transformamos a tabela em real há um ano, para acompanhar. Mas, de qualquer forma, como a nossa cadeia está bem atendida, nós também somos beneficiados”.

Para Pina, o momento traz muitos desafios: “Por precaução, fizemos o afastamento de todos os colaboradores que pertencem ao grupo de risco. No quadro de diretos são 240 funcionários, estamos com 40 afastados; dos 100 terceirizados, temos 15 afastados. Isso desfalca de forma agudo o nosso mercado de trabalho, engloba a área de agronegócios. Estamos sendo bastante demandados e com um déficit operacional, mas temos conseguido superar com o esforço de todos”.

Outra questão levantada por Pina está relacionada aos afastamentos acontecendo por medo. “Com as campanhas do fique em casa, é difícil conseguir o convencimento dos funcionários garantindo que preparamos um ambiente seguro para que eles se sintam confortáveis para trabalhar. Temos conseguido fazer com que se cumpram os procedimentos adotados na parte sanitária e de higiene, temos sido muito rigorosos para não expor ninguém. Demonstramos que manter um ambiente seguro significa ter menos exposição. Temos disponibilizado aos funcionários todos os EPIs necessários e adequados a cada tipo de função e exposição. Nossa higienização já era bem exigente, os terminais estão em outro patamar. Acrescentamos mais esforços. Distribuímos EPIs durante todo o dia, álcool gel em vários espaços, enfim todos os recursos necessários”.

Doações

Como muitas empresas do setor, o T-Grão vem desenvolvendo várias ações solidárias em Santos, unindo forças entre as empresas do grupo. “Nós temos focado em soluções que tragam benefícios rápidos. Temos uma empresa do grupo que produz materiais de limpeza. Fizemos uma doação para a Prefeitura de Santos de 18 mil frascos de detergente, para que fossem distribuídos nas zonas carentes da Cidade. Nossa empresa pensa que tanto os hospitais como as repartições públicas têm sérios problemas de insumos por falta de logística, com uma demanda excessiva que os fabricantes não têm como atender. Nas áreas carentes, o problema é mesmo o dinheiro, não tem recursos. Por isso ajudamos na higienização para incentivar o combate ao Covid-19, com três lotes de doações.

“Torço muito para que as pessoas não fiquem cegas para essa questão das periferias. É muito difícil que as pessoas fiquem em casa nessas regiões, eles muitas vezes nem têm espaço para dormir com muitas pessoas no mesmo local. Essa questão toda nos preocupa muito. É importante além de criar a instrução criar a possibilidade”, ele afirma.

Outro projeto desenvolvido pela fábrica de móveis do grupo vem sendo realizado a partir de um projeto apresentado na Universidade de Manaus: caixas de acrílico para a proteção de médicos e profissionais da Saúde na hora de entubar os pacientes. “É um processo simples, usamos a engenharia da empresa e fizemos algumas unidades para testes que ficaram em hospitais, com ótimo retorno. Hoje a produção está em 100 unidades e nossa ideia é equipar a região com pelo menos 300 peças. Até Belo Horizonte vai fazer por lá, oferecemos todo o projeto, mas eles fizeram questão de mandar buscar três peças para ter o produto acabado”.

Buscando soluções que estejam sendo implantadas e que sejam viáveis, a boa novidade agora veio de um projeto de arquitetos de Nova Iorque (projetos em aberto para quem quiser usar), que desenvolveram cabines produzidas em MDF e acrílico para fazer teste de Covid-19. “Esse é um momento crítico para o profissional de saúde, eles ficam muito expostos com o paciente. Com essa barreira de proteção eles ficam mais seguros.
Não queremos construir aeronaves, mas projetos simples. Fizemos adaptação à nossa realidade, com frontal de acrílico e com dois espaços para os braços, para que seja feita a coleta com segurança, sem o contato direto. Já está em testes antes de produzirmos em série para doação. A ideia é colocar uma em cada UPA, no momento de testes em massa elas serão muito importantes. Temos material para isso, é uma parceria que pode ser realizada em outros locais também. Nós estamos olhando por Santos, berço do nosso trabalho, meu pai sempre focou em ajudar a Cidade”.