Planos do Porto de Suape à espera dos efeitos do coronavírus

Indústrias com produção parada, consumidores isolados, turismo retraído, eventos cancelados e revisão para baixo do crescimento econômico da China neste primeiro trimestre do ano, que deve afetar outros países que dependem de alguma forma da segunda maior economia do mundo. Para além dos malefícios para a saúde da população mundial, os efeitos causados pela epidemia do coronavírus no mundo também afetam a economia de países como o Brasil. Pernambuco também está na rota e o Complexo Portuário de Suape vai precisar aguardar o comportamento do avanço ou contenção do vírus nos próximos meses para retomar projetos importantes que vêm sendo negociados, como a licitação do segundo terminal de contêineres (Tecon 2) e uma nova rota para a Ásia.

Segundo Leonardo Cerquinho, presidente do Porto de Suape, o primeiro ponto que precisou ser resolvido, no âmbito mundial com reflexos locais, foi a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Assunto que foi começou a ser resolvido em janeiro, quando foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo. Quando o caminho parecia livre, a epidemia do coronavírus se alastrou pelo mundo, afetando a economia chinesa e refletindo em outros países. “O coronavírus vai impactar, mas ainda não sabemos a profundidade que vai impactar da perspectiva do comércio exterior”, afirma.

Os impactos podem refletir em planos do Porto de Suape. “A licitação do Tecon 2 já tinha expectativa para sair no segundo semestre, não tinha clima para licitar antes por conta da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Agora tudo depende do quanto essa epidemia do coronavírus vai se prolongar, mas a expectativa é essa”, explica Leonardo Cerquinho. Outro assunto interligado ao Tecon 2 que também vai precisar esperar entender os efeitos do coronavírus é a viabilização da rota Ásia-Brasil, que está sendo analisada através de um acordo com o Canal do Panamá. A ideia é que a rota venha pelo Panamá e use Suape como o concentrador de carga, em vez de descarregar no Sudeste do país para depois subir. “Isso está muito interligado ao Tecon 2 e houve uma queda grande em relação aos navios asiáticos que saem de lá para o resto do mundo”, acrescenta. Porém, o presidente do Porto de Suape está otimista para que os planos sigam o cronograma já estabelecido. “Os números de casos do coronavírus já estão diminuindo e, se dentro de um mês a China voltar, vai dar uma baqueada na economia, mas não muito”, conclui.

Evento
Leonardo Cerquinho participou ontem do lançamento do Fórum Regional Nordeste Export, que aconteceu no Complexo Portuário de Suape, com a presença dos integrantes do Comitê Orientador, autoridades e representantes de entidades do setor. O evento acontece em Pernambuco e vai discutir o setor logístico portuário não apenas do estado, mas de toda a região. O fórum, que acontece nos dias 15 e 16 de junho, no Porto Digital.

O evento regional faz parte da programação regional do Fórum Nacional de Logística e Infraestrutura Portuária Brasil Export, que vai acontecer nos dias 19 e 20 de outubro, em Brasília. “Esse evento nacional começou a acontecer em Santos e depois em Brasília. Daí, lá, no ano passado, foi anunciado que neste ano eles iriam fazer os eventos regionais e começamos a organizar desde lá esse fórum aqui em Pernambuco. Foi feito um comitê organizador que discute quais os assuntos serão trabalhados. E é importante ressaltar que, apesar de ser aqui, não vai discutir apenas Suape, vai discutir o Nordeste como um todo”, disse Leonardo Cerquinho, presidente do Porto de Suape, que ressaltou que o encontro de ontem contou com a presença de representantes de outros estados da região, como Ceará e Paraíba, por exemplo.