Nosso webinar foi destaque no Jornal Portuário

Empreendimento 100% privado e com características muito singulares dentro do ambiente portuário nacional, o Porto do Açu foi tema de videoconferência realizada nesta terça-feira, 9 de junho, pelo Fórum Nacional Brasil Export. José Firmo, CEO da Porto do Açu Operações, e João Braz, diretor de Terminais e Logística, fizeram uma breve análise sobre as operações do complexo, iniciadas em 2014, detalharam os terminais na privilegiada área de 130 km² ao Norte do estado do Rio de Janeiro e destacaram dois projetos que devem entrar em operação no próximo mês de julho: o serviço de comboio oceânico entre o Açu e o Rio de Janeiro e um terminal para armazenagem de fertilizantes e granéis sólidos. Assistiram à apresentação o embaixador da Bélgica no Brasil, Patrick Hermann, e o cônsul-geral do país europeu Jean-Paul Charlier. O motivo do interesse de ambos é a parceria que o Açu mantém com o Porto de Antuérpia Internacional (PAI), uma subsidiária da Autoridade Portuária de Antuérpia, capital belga, criada para participar e investir em portos e projetos relacionados a portos em regiões estratégicas como o Brasil. O mediador foi Fabrício Julião, CEO do Brasil Export.

Desde novembro de 2019 na função de CEO, José Firmo disse que vem descobrindo o potencial transformador do complexo portuário e os desafios que são fazer acontecer as “complementaridades” que aumentarão a competividade do Açu, em especial as conexões terrestres. “Os planos são grandiosos. Usamos a técnica de pensar grande e agir pequeno. O lançamento dos novos serviços ocorre após vários anos de trabalho e evolução”. O comboio oceânico, muito pouco conhecido no Brasil, consiste em um serviço de feeder e cabotagem. A operação será quinzenal, em parceria com a Companhia de Navegação Norsul. O deslocamento entre o Porto e a capital Rio de Janeiro é calculado em 18 horas e o potencial é de ampliar a frequência de acordo com a demanda do mercado. Já o armazém coberto para fertilizantes é a concretização de uma demanda dos clientes do Terminal Multicargas, uma joint venture entre a Prumo, empresa gestora do Complexo, e Porto de Antuérpia Internacional, com capacidade para 25 mil toneladas e localização a somente 300 metros do berço de atracação, viabilizando uma operação ágil e eficiente.

O Porto tem localização distante de grandes metrópoles e por esse motivo, explicou José Firmo, a indústria é o pilar mais importante para que o empreendimento possa ter seu potencial bem explorado. O Açu busca se consolidar nos segmentos de cargas de projeto, produtos químicos, graneis, minério de ferro e, em especial, destacar-se como hub de gás natural e energia. “O Brasil é absoluto bebê no uso dessa riqueza”. O Complexo conta com 6,4 GW em licenças ambientais para termelétricas a gás natural, assim como licença para instalação de um Terminal de Importação e Gaseificação de GNL com capacidade de até 10 MMm³/d. A criação de um ambiente competitivo não necessariamente causará intensa competição com portos próximos como os de Santos e Vitória, disse o CEO, até porque as soluções de conectividade e investimentos em infraestrutura terrestre demandam longo tempo para conclusão. “Enquanto isso, vamos aumentar nossa eficiência, buscando alternativas e nichos de logística que podemos atender de forma competitiva”.

Ele também ressaltou o trabalho de “segurança, mitigação de riscos e ação humanitária” diante da disseminação de casos de Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, a Porto do Açu Operações liderou a força-tarefa contra o vírus em ação junto à Associação Internacional de Portos (IAPH). “Não existe competição em segurança, a ideia é maximizar conhecimento nas melhores práticas de mitigação de risco e manutenção das operações. É um prazer ser ‘header’ dessa iniciativa mundial”. Entre as principais ações, Firmo falou sobre o desenvolvimento de um guia com recomendação de medidas para portos, doações de EPIs, máscaras e alimentos, além da recuperação de ventiladores pulmonares e outros equipamentos médicos que auxiliaram a dobrar a capacidade de leitos de UTI na região onde o empreendimento está instalado

Futuro

O diretor de Terminais e Logística, João Braz, falou sobre a importância da construção da ferrovia EF-118, que irá conectar as capitais Vitória e Rio de Janeiro. Os estudos foram desenvolvidos pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e no futuro poderá conectar Açu com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a partir dela com o restante da malha ferroviária nacional. A expectativa do executivo é que a estrada de ferro, projetada em 577 quilômetros, esteja pronta em “2027 ou 2028”. As obras do primeiro trecho, entre Cariacica e Anchieta – onde está instalado o Porto de Ubu -, devem ter início entre o final de 2021 e o início de 2022, informou na última semana o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas.

Já a conexão rodoviária entre o Porto do Açu e a BR-101 será feita pela futura rodovia RJ-244, apontou Braz. A direção do empreendimento aguarda ansiosamente pela publicação de edital para a seleção da empresa ou consórcio para o trecho que contará com 44 km de extensão. “O Açu tem muito espaço para crescer, tem extensa área molhada, pode atrair muitas indústrias e terminais”. Ele destacou a eficiência do serviço de transporte porta a porta para os clientes do Terminal Multicargas e da movimentação de cargas de projeto essenciais para as atividades dos clientes do Complexo

O diretor celebrou ainda a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que seria a segunda a entrar em operação no Brasil. “Estamos discutindo as diversas oportunidades para o Porto. Um exemplo bem simples é a indústria de rochas ornamentais, setor que tem demonstrado interesse grande e poderia conectar com o serviço de transporte da Norsul”.

Fonte: Fórum Brasil Export

Leia a matéria na íntegra: https://jornalportuario.com.br/interna/destaque-portuario/100-privado-acu-pensa-grande-lanca-servico-de-feeder-e-cabotagem-e-instala-terminal-para-graneis-solidos