Primeira mulher presidente da Abeph fala em conhecer melhor portos fluviais e incentivar cabotagem

Atrair portos fluviais e avaliar alternativas para incrementar a navegação de cabotagem no Brasil estão entre as prioridades do mandato de Mayhara Chaves à frente da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph). Primeira mulher a ocupar o cargo nos 62 anos de história da instituição, ela foi empossada em reunião online realizada no último dia 6 de maio. Mayhara prontamente aceitou o convite do Brasil Export para falar aos conselheiros e patrocinadores do fórum permanente nesta sexta-feira, 15 de maio, e  lamentou que não há “entidades hidroviárias” participando da Abeph, embora a participação das mesmas esteja prevista no regulamento e até no nome da instituição. “Os portos fluviais sequer têm legislação específica. A Antaq não consegue fiscalizar. Queremos trazer à tona a realidade desses portos, conhecer melhor. Estamos subutilizando um modal que pode ser muito útil, eficiente e competitivo daqui para a frente”.

Apesar de jovem, Mayhara tem larga experiência profissional. Além de estar na presidência da Companhia Docas do Ceará (CDC) desde junho de 2019, ela já exerceu as funções de diretora de Planejamento e Desenvolvimento da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), subsecretária de estado de Comércio Exterior e Relações Internacionais no Governo do Espírito Santo e especialista em Transporte Pleno IV na Secretaria Nacional de Portos da Presidência da República. “Sou uma entusiasta do setor portuário. Amo o que eu faço. É um sentimento de satisfação ser a primeira mulher [presidente da Abeph] e ser uma inspiração”. Ela falou sobre os desafios impostos pelo distanciamento social imposto pela disseminação de casos da COVID-19 e disse valorizar as oportunidades que surgem neste cenário para aprender e desenvolver ferramentas digitais.

Para colaborar no objetivo de desenvolver a navegação de cabotagem na costa brasileira, a presidente da Abeph falou em simplificar os procedimentos burocráticos e a cobrança de taxas. Nesse sentido, ela lembrou que o Porto de Fortaleza, administrado pela CDC, não opera linhas marítimas de cabotagem no momento, já que foram atraídas pela eficiente operação do Complexo Portuário do Pecém, também no Ceará. O atendimento a embarcações menores e o incentivo a navegação fluvial pelo Rio São Francisco estão entre possíveis soluções para o Porto de Fortaleza e para outros que não figuram entre os mais movimentados da região Nordeste. “Os portos menores precisam se especializar em determinadas cargas com operação de excelência”.

No caso de Fortaleza, o porto da capital cearense é o segundo que mais movimenta trigo no Brasil e conta com um píer especializado na movimentação de combustíveis. A operação de trigo, inclusive, lidera o crescimento do atendimento de graneis sólidos em 2020, com 715.587 mil toneladas movimentadas de janeiro a abril deste ano, um crescimento de 22,4% em relação ao mesmo período de 2019.

(Texto: Bruno Merlin)