Investimentos em ferrovias e escoamento pelo Arco Norte potencializam setor produtivo no Brasil

Investimentos públicos e privados em infraestrutura, especialmente na malha ferroviária, não somente melhoram a produtividade do transporte de cargas no Brasil como reduzem os valores médios dos fretes e estimulam a produção no Brasil. Esse foi o balanço do webinar “A Logística do Agronegócio em tempos do Covid-19 e planos para o pós-pandemia”, uma iniciativa do Centro-Oeste Export, com mediação de Cesar Meireles e organização de Fabricio Julião, CEO do Brasil Export. Os participantes afirmaram que o escoamento da produção do agronegócio pelos portos do Arco Norte já é uma realidade e só tende a crescer, além de apontarem obras como a Ferrogrão como potencializadoras do crescimento do setor produtivo no País.

O conselheiro do Centro-Oeste Export e diretor-executivo do Movimento Pró Logística de Mato Grosso, Edeon Vaz, projetou que o escoamento de grãos pelos portos do Arco Norte em 2020 seja de “41 a 42 milhões de toneladas”, crescendo mais de 10% em relação às 37,1 milhões de toneladas do ano anterior. Ele observou que é preciso aumentar a participação das ferrovias e hidrovias na malha do Arco Norte para possibilitar o incremento do cultivo de grãos no MATOPIBA (sigla para pujante área nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, em impressionante crescimento nos últimos anos”.

Com investimento de US$ 1,5 bilhão somente na região Norte, a Hidrovias do Brasil ganha a cada ano importância entre os principais players na logística brasileira. “Falta de infraestrutura é limitador de crescimento”, opinou Fabio Schettino, CEO da companhia. Com um terminal portuário instalado em Vila do Conde, no Pará, a Hidrovias do Brasil dispõe de um sistema integrado com capacidade de movimentar 6,5 milhões de toneladas por ano. “O recente crescimento no Arco Norte se deu com as então terríveis condições da BR-163/PA. Agora temos uma previsibilidade maior”, disse, em relação à conclusão da pavimentação pelo Ministério da Infraestrutura.

 

“O agronegócio ainda é pouco atendido pela estrutura ferroviária”, criticou Fernando Paes, diretor-executivo na Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), ainda que o terminal de Rondonópolis (MT) seja o que mais movimenta grãos na América Latina. Ele destacou o potencial de crescimento do Porto do Itaqui, no Maranhão, a única saída brasileira pelo mar a partir da Ferrovia Norte-Sul.

O CEO da Brado Logística, Marcelo Saraiva, destacou o trabalho diferenciado da empresa no atendimento de cargas emergenciais e no abastecimento no mercado interno. “O produtor de grãos consome cerveja, roupas, desodorante, materiais de construção, cerâmicas e é abastecido em seu estado pela multimodalidade da Brado”. Entre as novas soluções adotadas no transporte ferroviário, Saraiva destacou o double stack, que com o mesmo comprimento de trem permite movimentar o dobro da capacidade em relação a uma unidade comum.

(Texto: Bruno Merlin)