Universo da movimentação de cargas será transformado pela Internet das Coisas (IoT), indica líder da IBM

Internet das Coisas (IoT) foi o tema do webinar promovido pelo Brasil Hack Export nesta segunda-feira, 27 de julho. O primeiro dia útil da semana já está sendo conhecido pelo grupo de Conselheiros e patrocinadores do Fórum permanente como “o dia tecnológico” no qual são organizados encontros com grandes profissionais de tecnologia e apresentados temas relevantes para o desenvolvimento econômico do País. Desta vez o ilustre palestrante foi Sérgio Gama, Senior Developer Advocate Leader da IBM América Latina.

Uma vez que a IoT é colocada em uma cadeia de suprimentos, disse Gama, é possível rastrear todo o caminho percorrido e controlar a qualidade das mercadorias comercializadas. A integração da Internet das Coisas com blockchain, inteligência artificial e big data – apontadas como protagonistas da Quarta Revolução Industrial – irá proporcionar mudanças de comportamento na movimentação de cargas em todo mundo. “Costumo dizer que a IoT está onde eu não consigo chegar. Se quero saber se a água está quente coloco um sensor. Posso controlar todos os procedimentos na agricultura, por exemplo. É como se eu estivesse estendendo minhas capacidades sensoriais”.

Em seu site oficial, a IBM informa que a Internet das Coisas ajuda a facilitar o gerenciamento de empresas e reinventar a forma como as pessoas interagem com o mundo real. Entre os exemplos destacados pela companhia estão a adoção de IoT para análise de equipamentos com o objetivo de prever interrupções e otimizar a eficiência operacional, a ampliação da vida útil de rodovias, pontes e serviços públicos por meio da manutenção preventiva e a otimização do design e das operações de construções.

Embora os avanços tecnológicos sejam, de modo geral, responsabilizados por reduzir a quantidade de empregos, também geram muitos postos de trabalho e alavancam a economia. Gama enfatizou que a Internet das Coisas pode ser implementada em qualquer lugar, seja em veículos, edifícios, embarcações ou equipamentos como contêineres. “Mesmo sem conexão com internet um contêiner pode ter um sensor capturando dados offline para posterior controle ou auditoria”. O que ainda limita a aplicação da IoT, ressaltou o líder da IBM, é a capacidade de utilização pela ineficiente rede de telecomunicações implantada no Brasil e em outras partes do planeta.

Ele explicou que o território brasileiro está bem servido por hardwares e softwares a custos acessíveis, mas a falta de investimentos em telecomunicações, como nos requisitos necessários para a chegada do 5G, dificulta a implantação de tecnologias mais avançadas. “A qualidade [do sinal] de internet não acompanha a revolução tecnológica e torna tudo muito caro”. Segundo ele, os maiores gargalos para a aceleração tecnológica são a qualidade da Internet e o desenvolvimento de baterias de grande duração para os equipamentos elétricos. “Na hora que resolvermos essas duas coisas o mundo muda”.

Angelino Caputo e Oliveira, diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) e presidente do Conselho do Brasil Hack Export, foi o moderador da atividade digital e destacou a importância da compreensão das tecnologias que comandam a Quarta Revolução Industrial para a melhor gestão das operações no universo logístico-portuário. Ele apenas lamentou que o Ministério da Infraestrutura não esteja entre os órgãos representados no Plano Nacional de Internet das Coisas, instituído pelo Decreto 9.854, de 25 de junho de 2019.

(Texto: Bruno Merlin)