Protecionismo deve ser tendência no pós-Covid

Na videoconferência desta terça-feira, dia 1º de setembro, os convidados do Fórum Brasil Export foram unânimes em avaliar que o protecionismo deve ser uma medida a ser adotada por países desenvolvidos e em desenvolvimento no pós-Covid. O webinar “Protecionismo X Globalização: desafios econômicos em um universo multiconectado” teve mediação do especialista em regulação e conselheiro nacional do Brasil Export, Mario Povia.

No início do debate Povia leu uma reportagem do jornal “Correio Braziliense” publicada em junho último sobre como os acordos bilaterais devem perder força na chamada “desglobalização” na pós-pandemia. Em seguida lançou uma provocação aos demais: “Estamos fadados a sermos exportadores de commodities e produtos primários ou podemos pensar em reindustrialização?”.

Para José Augusto de Castro, presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), a globalização tal qual a conhecemos de fato deve perder força. “Acho que precisa ser repetido. O mundo está em transformação. E com certeza o protecionismo será a palavra da moda”, disse. Nesse contexto, haverá espaço para a potencialização da chamada globalização entre as empresas. José Augusto lembrou que das 500 maiores empresas do mundo, 450 estão no Brasil, e quanto mais essas empresas estiverem fortalecidas, mais o país irá exportar.

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Doutor em direito internacional, o advogado Rodrigo Zanethi lembrou que a Covid-19 provocou uma verdadeira revolução no aspecto econômico e social. Ele faz coro à voz de José Augusto e também disse acreditar que devido a essas questões o mundo viverá o que ele classificou como uma “onda protecionista”. “A cadeia global de valor tem de ser valorizada”, disse.

Para a diretora do Departamento de Gestão de Contratos da Secretaria Nacional dos Portos, Flávia Takafashi, o Ministério da Infraestrutura tem tomado as providências necessárias, tais como ofertar segurança jurídica e promover marcos para atrair investimentos no setor. “Investimentos em ciência e tecnologia vão colocar o Brasil em outro patamar”, disse.