Presidente da SPA defende premissas técnicas de novo PDZ e busca viabilizar crescimento do transporte ferroviário

Recém-conduzido à presidência da Santos Port Authority após exercer por mais de um ano a direção de Administração e Finanças, Fernando Biral participou de videoconferência organizada pelo Fórum Nacional Brasil Export nesta sexta-feira (5). Ele exaltou ações das quais participou junto aos demais diretores da Autoridade Portuária, como tornar a empresa superavitária e equalizar a dívida do Portus – o fundo de pensão complementar da categoria. O diretor-presidente também respondeu a perguntas feitas por conselheiros e patrocinadores do Brasil Export, em atividade comandada pelo CEO Fabrício Julião.

A proposta do novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) para o Porto de Santos foi amplamente abordada. Biral disse que o PDZ está “muito bem amarrado”, pautado em premissas técnicas e comprometido em respeitar os contratos vigentes. Uma das principais premissas é aumentar a participação e a produtividade do transporte ferroviário na logística de cargas envolvendo operações no Porto, sem reduzir trabalho para os caminhoneiros. “Com a expansão das atividades teremos um aumento de 50%, saindo de 160 milhões para 240 milhões de toneladas [por ano], com crescimento das cargas por rodovia e ferrovia. É benéfico para todo mundo”. A Companhia estima R$ 1,5 bilhão somente em investimentos ferroviários e obras envolvendo cruzamentos de nível.

Outra relevante premissa do novo PDZ é a clusterização. A Santos Port Authority defende condensar e adensar as áreas de movimentação de mercadorias, formando clusters de cargas e modelando instalações maiores, conforme os contratos vigentes forem vencendo. O objetivo é reduzir custos e aumentar a competitividade de toda a cadeia logística. Questionado sobre os motivos de os dados que serviram de base para a elaboração do documento ainda não terem sido apresentados à comunidade portuária, Biral respondeu que a SPA realizou mais de 30 reuniões envolvendo 50 diferentes entidades e garantiu que os números alcançados estão fielmente baseados no plano mestre e em estudos econômicos sobre o futuro das exportações no Brasil. “Todo o processo foi bastante técnico, projetando como os berços vão movimentar a carga projetada. A própria geografia de Santos não permite tantos ajustes nas operações do Porto. Estamos muito confiantes em todos os cálculos, dados e premissas técnicas para aplicarmos o PDZ. Recebemos inúmeras manifestações e responderemos de modo formal a todas elas. As mais significativas foram incorporadas ao Plano”.

O Diretor-Presidente também esclareceu que o PDZ “não está judicializado” e que o embate com a Marimex sobre o futuro das operações na região de Outeirinhos é somente pontual. A Autoridade Portuária projeta construir uma pera ferroviária no local, obra que alega ser “absolutamente essencial” para aumentar a movimentação ferroviária em mais 25 milhões de toneladas. “Se tirar a pera vamos continuar travados como estamos hoje. A velocidade das composições e dos movimentos ferroviários na região de Outeirinhos, se não é uma vergonha é próximo disso. Se não fizermos isso vamos comprometer a expansão ferroviária, o que irá obrigar a recebermos ainda mais caminhões. Ficaria mais caro e não podemos penalizar o dono da carga. Temos o maior respeito pela Marimex. A empresa tem direito a concorrer nos novos leilões. Não queremos prejudicá-la e oferecemos contratos de transição para que permaneça no local enquanto não forem realizadas as obras”.

Em relação aos desdobramentos da pandemia de Covid-19 no Brasil, Biral disse que a Autoridade Portuária ainda não registrou reflexos na quantidade de cargas movimentadas, pelo contrário, registrou novos recordes no mês de abril. A maior preocupação da diretoria no momento, observou, é evitar a contaminação de colaboradores e funcionários do Porto. “É difícil, a doença é traiçoeira e de contágio fácil, mas estamos envidando todos os esforços na distribuição de EPIs, álcool em gel e preparando testagem em massa dos trabalhadores”. Houve, entretanto, retração nas importações, prejudicando especialmente os recintos alfandegados. A expressiva alta do dólar nas últimas semanas “certamente não ajudou”, indicou.

Projetando o futuro, o diretor-presidente disse que a missão do Porto de Santos é ser o hub port do Brasil. Para isso, deseja ajudar a viabilizar a aprovação da BR do Mar no Congresso Nacional e a construção de um novo terminal de contêineres na região do Saboó. A Companhia conta também com R$ 23 milhões de orçamento para investir na área ambiental, o maior volume já destinado pela Autoridade Portuária, apontou. “Vamos tirar do papel projetos importantes e cumprir exigências legais relacionadas à preservação do meio ambiente e operar em padrão de sustentabilidade”.

(Texto: Bruno Merlin)