Oportunidades geradas pelo 5G, tecnologia como fator de desenvolvimento e infraestrutura defasada em pauta durante live do Conselho Internacional do Brasil Export

por Bruno Merlin

O Conselho Internacional do Brasil Export promoveu nesta terça-feira, 30 de março, um webinário de altíssimo nível com as valorosas contribuições de Cláudio Frischtak, economista e presidente da Inter. B – Consultoria Internacional de Negócios, Nadir Moreno, presidente da UPS Brasil, e Roberto Giannetti da Fonseca, economista, sócio-fundador da KWP Energia e presidente da Kaduna Consultoria. Provocados pelo tema “Conectividade das nações no âmbito da infraestrutura, logística e tecnologia, nos próximos dez anos“, eles abordaram as oportunidades de negócios que surgirão com os avanços de inovação e implantação da tecnologia 5G e as barreiras comerciais que o Brasil ainda enfrenta por vivenciar um ambiente político-econômico instável e de muita insegurança jurídica.

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Frischtak observou que a infraestrutura de transportes no Brasil apresenta gargalos que remontam ao século XIX. De 2001 a 2020, disse o economista, a média de investimentos no setor foi o equivalente a 0,67% do PIB. “É muito pouco, deveríamos estar investindo 1,95% do PIB, segundo cálculos publicados pelo IPEA. É um gap de 96 bilhões de reais por ano, incluindo todos os modais e também a mobilidade urbana”.

No setor de telecomunicações, o gap é menor, tendo o Brasil investido 0,56% do PIB em média nos últimos 20 anos, um pouco abaixo do índice de 0,71% estabelecido pelo instituto de pesquisas. O economista destacou a necessidade de atrair investimentos privados, já que o Poder Público não dará conta de atender a esses aportes. Os investimentos, ressaltou, também precisam ser contínuos para a que o País possa modernizar sua infraestrutura de transportes e de telecomunicações.

Com a responsabilidade de comandar no Brasil as operações de uma companhia com presença em 220 países e com uma frota superior a 100 mil veículos, Nadir Moreno afirmou que tecnologia e inovação são os dois fatores essenciais para proporcionar aceleração dos negócios e mitigação de barreiras comerciais. “A UPS está focada em transformação. Em 114 anos de existência tivemos 4 ou 5 transformações distintas, preparando a empresa para o futuro, mas desta vez [a transformação] é contínua e estamos nos movendo mais rápido do que nunca”.

As pequenas e médias empresas estão muito envolvidas com o comércio eletrônico e buscam soluções logísticas para crescer e superar obstáculos comerciais. A empresa já dispõe de mais de 8 mil veículos com tecnologia avançada e combustível alternativo. De acordo com Nadir, o uso de caminhões e carros autônomos pode reduzir custos médios de até 30% nas operações nos Estados Unidos, além de colaborar para minimizar congestionamentos e poluição nas comunidades em que atuam.

Com passagens marcantes por órgãos de Governo, Roberto Giannetti enfatizou que a sociedade precisa pressionar o Poder Público para a implantação da tecnologia 5G no País. A previsão é de que o 5G impulsione o crescimento do PIB global em US$ 3 trilhões no período de 2020-2025. Segundo o economista, essa é uma grande oportunidade para o Brasil agir e recuperar mais rapidamente a sua economia. Do contrário, ficará para trás no ambiente mundial de competição. “O investidor gosta de chão firme, gosta de previsibilidade, e isso está um pouco prejudicado no momento com a instabilidade macroeconômica atual”.

Giannetti também utilizou o espaço para dizer que os brasileiros precisam a aprender a ter cultura exportadora. “Costumo usar uma frase que é: ‘não basta ser competitivo, é preciso vender melhor'”. E nesse momento, prosseguiu, de ociosidade da indústria, de desemprego e de câmbio a R$ 5,80 [por US$ 1] as exportações de produtos manufaturados estão caindo. Isso acontece, segundo Giannetti, por “falta de ânimo exportador” e por falta de uma política governamental eficiente de comércio exterior. “Coreia e China exportavam igual ao Brasil em 1985, em torno de 25 bilhões de dólares. E olha hoje, 35 anos depois: eles nos dão de goleada, 7 a 1. Estamos passando vergonha no comércio exterior”.