Operadores logísticos exercem função essencial durante pandemia e buscam uniformização do marco legal para a atividade

Os operadores logísticos exercem uma atividade de natureza integradora fundamental para a economia no Brasil, empregando diretamente mais de 503 mil pessoas e indiretamente outras 960 mil. A eficiência das operações em território nacional, no entanto, esbarra nos processos e emaranhados fiscais mais complexos do mundo. Com o intuito de refletir sobre o tema, o Fórum Nacional Brasil Export organizou webinar com executivos de quatro dos maiores operadores logísticos que atuam no País. A mediação coube a Cesar Meireles, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (Abol), entidade que tem com a principal bandeira a uniformização do marco legal para o segmento. A Abol preparou uma proposta de projeto de lei para explicar e caracterizar o que faz um operador logístico, além de atuar pela atualização do Decreto 1102/1903, documento centenário e desatualizado que institui regras para o estabelecimento de empresas de armazens gerais.

Em meio à batalha pelo reconhecimento da atividade e de um mundo em rápida transformação digital, os operadores logísticos tiveram que se reinventar diante da pandemia de Covid-19. A crise sanitária fez com que as companhias valorizassem ainda mais iniciativas como o Programa Operador Econômico Autorizado (OEA), destacou o diretor-presidente da Multilog, Djalma Vilela. A empresa é o principal player de zona secundária no Brasil, tem foco nas regiões Sul e Sudeste e administra oporto de fronteira seca mais movimentado em território nacional, em Foz de Iguaçu, recebendo mais de 1000 caminhões por dia. Por meio do OEA, explicou, a empresa obtém sucesso em processos de desburocratização como a Declaração de Trânsito Aduaneiro Simplificado (DTA-S) e vistorias remotas. “No fim do dia para o cliente é tempo menor, custo menor e um Custo Brasil mais competitivo”. Vilela também ressaltou os avanços proporcionados pelo despacho sobre águas OEA, permitindo aos operadores realizarem os procedimentos burocráticos sem esperar pela entrada ou saída de uma carga nos terminais para fazer o desembaraço da mesma.

A prestação dos serviços de logística e de gestão de estoque foram fundamentais para o êxito dos clientes da ID Logistics Brasil, maior filial do grupo francês ID Logistics, durante o período de pandemia, observou o diretor-presidente Jérôme Jacek. A transformação digital das operações vem sendo aplicada pelo grupo nos últimos anos, inclusive com a gestão digital de checklists e a automação de procedimentos. A empresa comprova a natureza integradora do segmento ao gerenciar as operações em dois diferentes países em mais de 60% de seus contratos.

O presidente da Coopercarga – maior cooperativa de transportes da América Latina -, Osni Roman, disse aos conselheiros e patrocinadores do Brasil Export que a companhia investiu muito em inovação nos últimos anos, incluindo a criação de um departamento voltado para o assunto e o incentivo ao desenvolvimento de uma cultura interna, com mais de 6 mil horas de formação técnica destinada a funcionários e colaboradores. Roman também destacou as iniciativas voltadas à sustentabilidade, como o uso de gás veicular natural (GNV) em caminhões da frota da Coopercarga, reduzindo as emissões de poluentes em até 20%, e estudos para viabilizar a utilização do biogás.

O diretor de Negócios da Geodis, Paulo Franceschini, falou sobre os desafios do operador logístico para oferecer um serviço “door to door”. A função de integradora de soluções, exemplificou, demonstra-se na gestão de contratos cujos clientes mantém parte de sua fabricação na China e a Geodis precisa trazer a carga ao Brasil, nacionalizar, armazenar e distribuir até o seu destino final, mantendo atualizado um sistema online de tracking. Franceschini destacou que a quarentena forçada pela disseminação de casos de Covid-19 trouxe confiança ao consumidor brasileiro em comprar via e-commerce, tendo detectado forte aumento na demanda por esse serviço.

(Texto : Bruno Merlin)