Inovação de ruptura e digitalização das operações por órgãos públicos são destaques em webinar realizado pelo Brasil Export

 

“Cenários tecnológicos nos setores logístico e portuário pós Covid-19” foi o tema de webinar organizado pelo Brasil Export nesta quinta-feira, 28 de maio, atividade moderada por Angelino Caputo, diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra) e conselheiro nacional do Fórum, e transmitida ao vivo pela página oficial do evento no Facebook. O webinar contou com a celebrada participação de Silvio Meira, professor titular de engenharia de software do centro de informática da UFPE, fundador e cientista-chefe do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) e fundador do Porto Digital, polo de conhecimento instalado em Recife. Ele explicou que a “inovação de ruptura” é transformadora e traz o futuro de forma incremental para o presente das organizações. “Tem que ter coragem para dizer para o usuário que vai ser difícil e que ele vai precisar esquecer a forma como estava fazendo antes, porque agora será de outro jeito. Se você perguntasse às pessoas há alguns anos como seria o smartphone ideal, ninguém ou quase ninguém detalharia o aparelho no formato que é hoje”.

No início do webinário o presidente do Porto de Suape, Leonardo Cerquinho, anunciou a assinatura de contrato com o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD) para implantação de um programa de  inovação aberta no complexo portuário. O Porto Digital atuará como uma interface entre Suape e startups com o objetivo de identificar desafios e projetar soluções digitais voltadas às necessidades da gestão portuária. Poderão ser contratadas, via encomendas tecnológicas ou por outros modelos de contratação, até 10 startups que vão trabalhar os desafios nas seguintes esferas: sistema portuário, sensoriamento, digitalização, transparência e inteligência de Suape. Silvio Meira explicou que o Porto receberá royalties caso as soluções desenvolvidas sejam vendidas para outras companhias, como operadores portuários e empresas de navegação.

O fundador do Porto Digital disse que a pandemia de Covid-19 fez com que organizações públicas e privadas passassem a entender, em menos de dez semanas, a necessidade de implantar os avanços digitais desenvolvidos nos últimos 25 anos e que muitas vezes foram postergados ou ignorados. Ele observou que a primeira iniciativa de e-commerce foi implantada no já longínquo ano de 1994 e o formato responsivo das vendas online “nasceu” em 2007. “Quem está fazendo isso agora está apenas chegando em 2007. O futuro, na verdade, é com plataformas digitais em que seja possível mediar transação de chegada das mercadorias de um navio no porto, mercadoria sendo retirada, ligação com as obrigações documentais e tributárias, tudo em um mesmo ambiente digital”.

Gerente Nacional do Projeto Portal Único do Comércio Exterior, Alexandre Zambrano também participou da iniciativa do Fórum Brasil Export e a elogiou indicando que o diálogo com os diversos players do segmento é imprescindível para realizar transformações digitais. Desde a sua implantação em 2017, o sistema possibilitou a redução do tempo médio das exportações de 13 para 6,8 dias, representando um aumento em R$ 100 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil a cada ano, de acordo com estatísticas divulgadas pela Serpro. Zambrano lamentou que o comércio exterior e a logística brasileira como um todo são setores defasados em termos de tecnologia, em grande parte por um marco regulatório ultrapassado e que exige muitos processos manuais. “Estamos fazendo um importante benchmark com nações avançadas, como Cingapura, e vendo o que está funcionando bem por lá para o setor privado e para as startups”. Ele ainda informou aos presentes que a implantação do Módulo-Recintos do Portal Único, hoje em ambiente de validação, tem previsão de estar completo em dezembro deste ano, ocasião na qual será divulgada “de forma tranquila” o cronograma de obrigatoriedades aos usuários.

A diretora de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério de Infraestrutura, Mariana Pescatori, disse que a pasta já digitalizou 94% de todos os serviços prestados e que a expectativa é chegar a 100% no próximo mês de julho. Ela fez uma apresentação explicando os benefícios da adoção do Documento Eletrônico de Transporte (DT-e), cuja emissão é obrigatória e caracteriza toda e qualquer operação de transporte de cargas ou de pessoas realizada em território brasileiro. O objetivo do grupo de trabalho formado para aperfeiçoamento do Documento é reduzir os custos com burocracia para os transportadoras, garantir que maior percentual do frete fique com os caminhoneiros, induzir à inovação no setor de transportes, integrar os fluxos informacional, físico e financeiro, incentivar o surgimento de agentes inovadores no mercado e proporcionar maior interação entre os intervenientes públicos. Foi levantada a hipótese de colocar os projetos inovadores para estudos nos eventos regionais e nacional do Brasil Hack Export.

As aplicações tecnológicas utilizadas pela Santos Brasil e os benefícios do Centro de Controle Operacional inaugurado em 2019 foram detalhados pelo diretor de Operações da companhia e conselheiro do Sudeste Export, Roberto Teller. Ele observou que o terminal instalado no Porto de Santos dispõe de 13 portêineres e de 32 transtêineres. Por meio de inteligência artificial e integração das atividades, é possível “gerar uma quantidade monumental de dados para planejar o posicionamento das unidades por meio de dashboards”, afirmou. A Santos Brasil é uma dos players do universo portuário que mais investem em tecnologia no País e a retroalimentação dos sistemas adotados por meio das operações digitais garantem uma das maiores produtividades encontradas em território nacional.

(Texto: Bruno Merlin)