Executivos de portos secos falam sobre desafios logísticos e potencial do Centro-Oeste em webinar do Brasil Export

A operação dos portos secos instalados na região Centro-Oeste e a logística do escoamento do agronegócio foram abordados em webinar realizado pelo Fórum Nacional Brasil Export na tarde desta quarta-feira, 22 de julho. O moderador Edeon Vaz Ferreira, presidente do Conselho do Centro-Oeste Export e da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (CTLOG), ressaltou o sucesso e o potencial de crescimento da produção agrícola e pecuária na região, mas lembrou ser necessário que os governos estaduais trabalhem para viabilizar a industrialização e aumentar o valor agregado desses produtos. “Goiás deu um salto enorme em relação aos demais estados da região. Mato Grosso é o primeiro colocado no País no cultivo de soja, milho e algodão, mas a industrialização ainda está muito aquém do possível”.

O presidente do Porto Seco Cuiabá (MT), Francisco Almeida, falou sobre os incentivos fiscais que o estado proporciona aos importadores e disse trabalhar na atração para o estado de novas empresas que compram mercadorias de outros países. Publicado em dezembro de 2019, o Decreto 317/ 2020 do Governo do Estado de Mato Grosso garante diferimento na incidência do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações de importação do exterior de bens e mercadorias. “Mato Grosso ainda importa muito pouco. Precisamos principalmente melhorar nossa logística”. Almeida indicou que os “comportamentos tributários” diferentes entre os estados brasileiros podem ser melhor equalizados, mas antes é preciso que o desenvolvimento humano também seja melhor equalizado em um país de dimensão continental como o Brasil

O modal rodoviário predomina no abastecimento do Porto Seco Cuiabá. Sobre essa questão, o presidente do empreendimento afirmou que “em um país enorme não é possível transportar tudo sobre rodas de caminhões” e que há promessas de instalação de muitas ferrovias, mas “no Brasil as promessas demoram a se concretizar”. Ele lamentou que a multimodalidade de transporte ainda não exista na prática. “Temos um custo medonhamente grande de logística. É um desastre, essa é a realidade. Esperamos que o atual governo, com um ministro da Infraestrutura muito competente, possa mudar isso”.

Embora instalado em um mercado menos pujante para o agronegócio, o Porto Seco Centro-Oeste, instalado em Anápolis (GO), é bem abastecido por estradas de ferro como a Ferrovia Centro Atlântica (FCA). O município é o marco zero da interligação entre as ferrovias Norte Sul e a FCA. O superintendente do Porto Seco, Everaldo Fiatkoski, contou que a companhia iniciou operações como terminal alfandegado privado em 1999 e de lá para cá vem mostrando como uma empresa privada é capaz de fazer investimentos significativos para redução do custo logístico da movimentação de mercadorias.

O Porto Seco Centro-Oeste, destacou Fiatkoski, movimentou mais de 55 mil contêineres desde 2014. O terminal alfandegado registrou um aumento de 53% em seu faturamento de janeiro a maio deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019, com destaque para a movimentação de produtos farmacêuticos. Segundo ele, a pandemia de Covid-19 paralisou iniciativas que irão aumentar o percentual de escoamento de cargas para os portos do Arco Norte, mas este é um movimento inevitável para o futuro. “Investimos em treinamentos e trabalhamos no dia a dia para fugir das dificuldades logísticas que temos no Brasil. Reclamamos, mas sempre fazendo a nossa parte para sermos mais eficientes na movimentação de cargas”.

(Texto: Bruno Merlin)