Em webinar internacional, diretor da Enterprise Singapore apresenta ecossistema de startups e fala sobre a construção do maior terminal 100% automatizado do mundo

O Fórum Nacional Brasil Export realizou na manhã desta segunda-feira, 29 de junho, seu primeiro webinar com participação internacional e tradução simultânea. O Diretor de Transportes e Logística da Enterprise Singapore, Mc Law (Chung Ming Law), explicou as ações de inovação do país asiático em atividade com o nome “A experiência de Singapura na utilização de inovação aberta para modernização do setor portuário”. A Enterprise Singapore é uma agência governamental que promove desenvolvimento e trabalha em parceria com “empresas comprometidas” em inovar e construir habilidades.

O país recebeu a missão internacional do Brasil Export em 2019. Moderador do webinar, o Conselheiro do Brasil Export e Diretor-Executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo e Oliveira, disse que a organização do Brasil Hack Export – maratona online de desenvolvimento tecnológico promovida pelo Fórum – está “fortemente inspirada” pela tecnologia aplicada a qual teve acesso nas visitas ao operador portuário PSA Singapore e à autoridade portuária e marítima PIER71. “É um processo de inovação sistematizado, não é inovação eventual”, explicou.

O ecossistema de startups de Singapura reúne aproximadamente 30 institutos de educação e pesquisa, 150 investidores de capital de risco, 180 aceleradoras incubadoras, 7 unicórnios (startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão) e 3.800 startups de tecnologia. Law disse aos patrocinadores e Conselheiros do Brasil Export que a missão da Enterprise Singapore é “ajudar as empresas locais e identificar outros mercados para avançarmos na competitividade global, com capacitação e construção de comércio internacional”.

Entre os projetos relacionados ao universo portuário, Law destacou a construção do Tuas Mega Port, com previsão de iniciar operações em 2021 e, por meio de quatro fases progressivas, alcançar capacidade operacional máxima em 2040. O Tuas irá consolidar cinco grandes terminais de contêineres e será o maior terminal 100% automatizado do mundo, com capacidade para movimentar 65 milhões de TEUs por ano. “Vamos levar todos os terminais para esse espaço apoiado por uma rede digital forte conectando portos, contêineres, galpões e empresas de logística”.

Outras ações apresentadas pelo diretor da Enterprise Singapore envolvem destinação de ruas e avenidas para circulação de veículos autônomos, desenvolvimento de veículos “zero emissão” de dióxido de carbono (CO2) e construção de um centro de logística integrada pela empresa Yang Kee com armazenagem de contêineres totalmente automatizada. A autoridade portuária PSA também convocou as startups do ecossistema para desenvolver soluções tecnológicas de suporte ao Container Port 4.0, projeto de inovação inteligente que busca entregar facilidades, acelerar digitalizações e gerar valor aos usuários dos portos, empresas marítimas e toda a comunidade logística. O governo do país asiático indica que esse projeto permitirá que Singapura seja o “Port of the Future”.

Ainda neste ano o governo irá promover a edição 2020 da Trade & Connectivity Challenge, um hackathon que buscará soluções para 20 problemas de 10 parceiros corporativos e com prêmios em dinheiro para os três primeiros colocados. As corporações, estabelece o governo de Singapura, devem estar comprometidas em testar as soluções selecionadas. Muitas dessa ações estarão voltadas para o mercado de “big data”. “Estamos muito confiantes na realização do evento e gostaríamos que os brasileiros e amigos também pudessem participar”, concluiu Law.

O Diretor de Programas da PortXL Singapore, Valentin Bula, acrescentou que os hackathons proporcionam perspectivas para criação de soluções tecnológicas de forma rápida e possíveis de serem implantadas. “É uma excelente ferramenta”, disse. A PortXL acelera parcerias que viabilizam a prestação de serviços e o oferecimento de inovações criadas por companhias do país asiático a portos de outras nações. “Nós apoiamos diferentes programas por todo mundo. Eles têm características diferentes e são desenvolvidos a partir das particularidades de cada mercado, assim agregando valor às operações”.

(Texto: Bruno Merlin)