Docas do Rio entrou na pandemia no “grupo de risco” em termos de saúde e finanças, aponta diretor

 

A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) entrou na pandemia de COVID-19 no “grupo de risco” em relação à sua saúde financeira e devido ao fato de a maioria de seus funcionárias terem mais de 50 anos, disse o diretor de Relações com o Mercado e Planejamento, Jean Paulo Castro e Silva, em videoconferência promovida pelo Fórum Brasil Export a seus conselheiros e patrocinadores nesta quinta-feira, 21 de maio. Ele explicou que a adoção de home office e de operação reduzida na sede da Companhia não implicaram em impacto negativo na atividade da empresa. O objetivo da direção é sair da crise sanitária com a Docas mais saudável e competitiva.

Para reduzir o prejuízo da CDRJ será preciso minimizar os impactos dos passivos trabalhistas e os débitos herdados da antiga Portobras, extinta em 1991, bem como compromissos oriundos de contratos de leasing. “Já tive que ‘passar pires’ para alguns dos arrendatários pedindo antecipação de pagamentos para cumprir compromissos. Estamos contratando um escritório de advocacia para ter melhor visão do que fazer nos processos trabalhistas”. Segundo ele, cerca de “um quarto” da folha de pagamento é consumida por esses passivos.

Jean Paulo também apontou que a meta da diretoria é incluir 15% dos funcionários da CDRJ no Plano de Demissão Voluntária (PDV). “Já temos cerca de 70 inscritos, o que dá 8,5% do quadro”. Em relação a novos investimentos, anunciou aos participantes da videoconferência que há projetos de arrendamento na modalidade greenfield no Porto de Itaguaí e que a administração pretende enviar estudos para conceder cinco novas áreas no Porto do Rio de Janeiro.

O diretor entende que o porto privado do Açu, no norte do estado, tem operações mais eficientes do que as dos portos ligados à Companhia e que é necessário modernizar a estrutura pública para dotá-la de maior competitividade. O último arrendamento realizado pela Docas do Rio foi um terminal de trigo, com participação da Bunge, que entrou em operação neste ano. Outra iniciativa destacada por Jean Paulo foi a implantação de três boias articuladas no Canal de Cotunduba para implantação de calado dinâmico e aumento de até um metro de profundidade para as embarcações que acessam o Porto do Rio.

A respeito das dívidas da Companhia com o Portus – fundo de pensão complementar dos portuários -, o diretor considera que as dívidas de contribuição patronal, originadas na época da Portobras, são menores do que as atualmente cobradas e que está sendo realizada uma perícia para chegar ao valor correto a ser pago. O fundo esteve ameaçado de liquidação e está sob intervenção federal desde agosto de 2011, mas um acordo assinado em abril entre a Secretaria de Portos e 14 patrocinadoras garantiu a continuidade do pagamento aos associados e busca uma reconstrução do Portus. “Sou movido a desafios e esse é um dos motivos porque vim parar na CDRJ”, afirmou.

(Texto: Bruno Merlin)