Carta do Brasil Export

Leitura por José Roberto Campos, presidente do Conselho Nacional do Brasil Export

Antes de iniciar a leitura da Carta peço um minuto de silêncio, como homenagem póstuma, a uma figura muito representativa para o nosso setor: o senhor Arno Oscar Markus. Entre suas missões de maior destaque esteve presidir a Portobrás e atuar como diretor executivo e presidente de honra da Abeph.

Ao tempo em que homenageamos este nosso amigo, estendemos o minuto de silêncio a todas as vítimas da Covid-19 neste ano de 2020.

Brasília, 24 de novembro de 2020

A edição nacional do Brasil Export encerrou o virtuoso ciclo de 100 webinários e de cinco eventos regionais organizados no formato misto, com parte dos participantes presentes e outra parte interagindo online. Essa trajetória permitiu ampliar o diálogo entre os profissionais e as autoridades do universo logístico e portuário, além de nos aproximar em um ano de tantas dificuldades, em especial em relação à pandemia de coronavírus.

Conforme ressaltamos em inúmeras ocasiões, os portos, os operadores logísticos e os demais stakeholders que atuam no Brasil não paralisaram suas funções, garantindo o abastecimento no País e o fluxo de comércio internacional.

Em plena sintonia com essas atividades, o Brasil Export também foi bastante ativo nesse período. E continuará sendo! O encerramento deste evento é somente mais um projeto concluído, dentre tantos outros, por este notável grupo de conselheiros e de lideranças do segmento.

Nossa equipe já está desenvolvendo um calendário permanente de eventos presenciais e online para o que está por vir, além de agregar um conselho internacional e outro formado por competentes mulheres às iniciativas desse fórum permanente, plural, multissetorial e agregador.

Buscamos sempre nos questionar e buscar soluções para uma mais rápida retomada do crescimento econômico no Brasil. Daí a importância de discutirmos a atração de capital estrangeiro para obras de infraestrutura, já que cada centavo dos investidores é, e será cada vez mais, disputado por nós com as demais nações amigas.

Vencer barreiras empresariais e culturais, como aqui foi reforçado, é o que nos motiva e nos move. Precisamos desburocratizar procedimentos e acertar o tom das regulações para que o Brasil, e por consequência todos nós, nossas famílias e nossos amigos, possam desfrutar de um ambiente mais saudável, sustentável, equilibrado e justo.

A primeira edição do ENAPH, Encontro Nacional de Autoridades Portuárias e Hidroviárias, foi realizada com muito êxito. Essa ação conjunta entre os portos públicos e o Brasil Export serviu para sintonizar visões no sentido de desenvolver e, mais uma vez repito o termo, desburocratizar o sistema portuário nacional.

Outra iniciativa de relevância ímpar foi a conclusão do Brasil Hack Export, uma maratona tecnológica voltada a sugerir soluções para os principais empecilhos que impedem maior eficiência da logística em território nacional. Foram 58 dias de atividades online que contaram com o incrível número de 1.112 inscritos. A DL Portos, equipe campeã, formulou um projeto utilizando a base de dados do Porto Sem Papel com o objetivo de utilizar a Inteligência Artificial para melhorar a eficiência das operações portuárias.

O sucesso de nossa maratona tecnológica só foi possível pela parceria com a Enterprise Singapura, inclusive com a participação presencial da Embaixada do país asiático aqui em nosso evento.

O Ministério da Infraestrutura celebrou no Brasil Export a conclusão de mil quilômetros de obras em rodovias federais somente neste ano de 2020, com investimentos calculados em R$ 2,4 bilhões. Subimos posições no ranking de modais do Fórum Econômico Mundial e reduzimos nossas diferenças, embora ainda muito elevadas, para as nações mais desenvolvidas do planeta.

O setor de transportes tem a responsabilidade de proporcionar perspectivas positivas para agricultores e para produtores de modo geral, assim garantindo melhor rentabilidade a quem alimenta a nossa população e a de nações parceiras.

Para isso, precisamos pensar “fora da caixinha” e otimizar o uso de recursos humanos, financeiros e naturais. Afinal, nenhum deles é ilimitado. É imprescindível agir no sentido de simplificar procedimentos e promover, da forma mais conveniente e com os menores tempo e custo, o deslocamento de pessoas e bens.

São estes os compromissos do Brasil Export e de seus conselhos de notáveis. Utilizamos a leitura desta Carta para reforçá-los aqui na capital federal, que ainda centraliza boa parte do desenvolvimento de políticas públicas.

Esperamos que este ciclo de iniciativas faça do Brasil um país melhor e mais competitivo nos próximos anos. Um Brasil melhor a cada ano, sempre desejando que daqui a algumas décadas, quando nossos filhos, filhas, netos e netas olharem para trás possam estar morando em um ambiente mais favorável de se viver.

Meu muito obrigado a todos.