Brasil Hack Export realiza encontro sobre inteligência artificial e anuncia viagem à Singapura para equipe vencedora da maratona

Inteligência artificial foi o tema do webinar organizado pelo Brasil Hack Export nesta segunda-feira, 13 de julho, dando continuidade às conversas sobre as principais inovações tecnológicas que estão mudando os rumos do planeta e fazem parte da chamada “Quarta Revolução Industrial”. Na ocasião, o CEO do Brasil Export, Fabricio Julião, anunciou que a equipe vencedora da grande maratona nacional de tecnologia, agendada para o período de 14 a 23 de novembro deste ano, será contemplada com uma viagem à Singapura para conhecer as iniciativas de tecnologia implantadas pelo governo e pelas grandes empresas do país asiático. A viagem contará com apoio técnico da Enterprise Singapore, agência governamental de apoio ao desenvolvimento.

O convidado do dia foi Evandro Barros, CEO do Instituto de Inteligência Artificial DATA H, com moderação de Angelino Caputo, Conselheiro do Brasil Export e Diretor-Executivo da ABTRA. Ele desmistificou conceitos relacionados ao tema central para a audiência formada por executivos do setor portuário e de infraestrutura. Segundo Barros, a inteligência artificial “é basicamente matemática” e a aplicação de programação e tecnologia da informação é somente a ponta final do processo de inovação. “Inteligência artificial é a cola de todo o processo de evolução tecnológica. Ao gerar dados, conseguimos gerar inteligência e gerando inteligência é possível automatizar operações”.

A inteligência artificial ganhou muito fôlego a partir de 2006 com o desenvolvimento de tecnologias em machine learning (prática de usar algoritmos para coletar dados) e deep learning (uso de redes neurais profundas para treinar computadores). Em qualquer dessas modalidades, o cruzamento de dados a partir de grandes volumes de informações e de altíssima capacidade de processamento gera o equilíbrio de resultados. Isso é chamado de hiperparâmetro, ou seja, conjunto de variáveis de dados que controlam todo processo de treinamento das máquinas. “Um exemplo que gosto muito de usar é de criar inteligência artificial para fabricação de um bolo. Ou o bolo sai gostoso ou sai uma gororoba. Para sair gostoso, é preciso treinar de modo que se compre os ingredientes corretos no supermercado e que se faça o bolo com as medidas corretas”.

Barros também comentou os trabalhos na evolução dos computadores quânticos, máquinas que possibilitarão o processamento de dados em uma gigantesca velocidade jamais vista e que será fundamental para as operações logísticas, prevendo deslocamentos dos veículos e aumentando a produtividade do transporte. Ele lembrou que qualquer aparelho smartphone comercializado hoje já tem capacidade de processamento maior do que de potentes computadores utilizados há poucos anos.

O CEO da DATA H hoje reside no Canadá, país para onde mudou por ser bastante avançado nos estudos de inteligência artificial. Barros disse que a implantação de inteligência artificial em países como o Brasil pode ser limitada devido à desorganização da sociedade e a problemas com mão de obra. A utilização de veículos autônomos, exemplificou, pode ser dificultada pela grande quantidade de avenidas esburacadas, não pavimentadas e por problemas de criminalidade. “A tendência é de crescimento do ‘gap’ de tecnologia entre países desenvolvidos e países não desenvolvidos”. Outra importante questão é que as grandes empresas já trabalham com quadro enxuto de funcionários em países que incorporaram avanços tecnológicos mais rapidamente. A automação de operações em companhias brasileiras, por sua vez, deve resultar em grandes massas de desempregados.

A navegação autônoma – assim como qualquer deslocamento de pessoas ou mercadorias – também deve crescer sensivelmente nos próximos anos, ressaltou o convidado. Isso irá resultar em grandes mudanças na cadeia global de suprimentos, afinal a direção autônoma soluciona problemas de escala, altera as características da mão de obra empregada e os custos envolvidos. “Ações como este encontro são fundamentais para esclarecimento sobre tecnologia. São ações como esta que irão transformar o mercado brasileiro”.

(Texto: Bruno Merlin)